domingo, 14 de setembro de 2014

Não sei


Estou mais próxima dos 40 que dos 30 e quer saber? Isso não é garantia de que é hora de relaxar e aproveitar o que conquistou. Blá, nem um pouco. Nem sei o que quero da vida ainda. Tudo que sei é o que não sei. Não sei se fico na profissão que estou ou mudo. Não sei se quero morar onde moro ou mudo. Não sei se guardo dinheiro para uma grande viajem ou se nem guardo.  Questões vitais, ou não...

"Será que vai chover agora? Deitar e dar um rolê lá fora? Trepar ou ver tv de peignoir? Pra já ou no cartão sem juros? Com mel, gelo e limão ou puro? Comprar um novo apê ou um all star? (Ou não - 5 a Seco)

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

AMOR DEPOIS DE AMOR (Derek Walcott. Tradução: Rodrigo Garcia Lopes)



Vai vir o tempo
em que você, exaltado,
vai saudar a si mesmo chegando
à sua própria porta, em seu próprio espelho,
e vão trocar sorrisos de boas-vindas,
você vai dizer, sente-se. Coma.
Vai amar o estranho que um dia você foi.
Dê vinho. Dê pão. Devolva seu coração
pra ele mesmo, o estranho que o amou
por toda a sua vida, e a quem você ignorou
por outro alguém, que o conhece de cor.
Pegue da estante as cartas de amor,
as fotografias, as anotações desesperadas,
descasque seu reflexo do espelho.
Sente-se. Sirva-se da vida.




terça-feira, 11 de setembro de 2012

REVERÊNCIA AO DESTINO



Falar é completamente fácil, quando se tem palavras em mente que expressem sua opinião.
Difícil é expressar por gestos e atitudes o que realmente queremos dizer, o quanto queremos dizer, antes que a pessoa se vá.

Fácil é julgar pessoas que estão sendo expostas pelas circunstâncias.
Difícil é encontrar e refletir sobre os seus erros, ou tentar fazer diferente algo que já fez muito errado.

Fácil é ser colega, fazer companhia a alguém, dizer o que ele deseja ouvir.
Difícil é ser amigo para todas as horas e dizer sempre a verdade quando for preciso.
E com confiança no que diz.

Fácil é analisar a situação alheia e poder aconselhar sobre esta situação.
Difícil é vivenciar esta situação e saber o que fazer ou ter coragem pra fazer.

Fácil é demonstrar raiva e impaciência quando algo o deixa irritado.
Difícil é expressar o seu amor a alguém que realmente te conhece, te respeita e te entende.
E é assim que perdemos pessoas especiais.

Fácil é mentir aos quatro ventos o que tentamos camuflar.
Difícil é mentir para o nosso coração.

Fácil é ver o que queremos enxergar.
Difícil é saber que nos iludimos com o que achávamos ter visto.
Admitir que nos deixamos levar, mais uma vez, isso é difícil.

Fácil é dizer "oi" ou "como vai?"
Difícil é dizer "adeus", principalmente quando somos culpados pela partida de alguém de nossas vidas...

Fácil é abraçar, apertar as mãos, beijar de olhos fechados.
Difícil é sentir a energia que é transmitida.
Aquela que toma conta do corpo como uma corrente elétrica quando tocamos a pessoa certa.

Fácil é querer ser amado.
Difícil é amar completamente só.
Amar de verdade, sem ter medo de viver, sem ter medo do depois. Amar e se entregar, e aprender a dar valor somente a quem te ama.

Fácil é ouvir a música que toca.
Difícil é ouvir a sua consciência, acenando o tempo todo, mostrando nossas escolhas erradas.

Fácil é ditar regras.
Difícil é seguí-las.
Ter a noção exata de nossas próprias vidas, ao invés de ter noção das vidas dos outros.

Fácil é perguntar o que deseja saber.
Difícil é estar preparado para escutar esta resposta ou querer entender a resposta.

Fácil é chorar ou sorrir quando der vontade.
Difícil é sorrir com vontade de chorar ou chorar de rir, de alegria.

Fácil é dar um beijo.
Difícil é entregar a alma, sinceramente, por inteiro.

Fácil é sair com várias pessoas ao longo da vida.
Difícil é entender que pouquíssimas delas vão te aceitar como você é e te fazer feliz por inteiro.

Fácil é ocupar um lugar na caderneta telefônica.
Difícil é ocupar o coração de alguém, saber que se é realmente amado.

Fácil é sonhar todas as noites.
Difícil é lutar por um sonho.

Eterno, é tudo aquilo que dura uma fração de segundo, mas com tamanha intensidade, que se petrifica, e nenhuma força jamais o resgata.


                                                               Carlos Drummond de Andrade







É tudo novo de novo!!! \o/

domingo, 5 de agosto de 2012

Entre sonhos e lutas, mais uma mudança


Minha casa está ficando nua, perdendo a identidade. Será minha sétima mudança, desde que me aventurei por essas terras piracicabanas. Encaixotar, lavar, ensacar, encontrar coisas perdidas, lembrar e se deparar com o dilema: “isso não posso colocar numa caixa, ainda vou usar”, “ isso pode muito bem ir pro lixo”, “por que, diabos, guardei isso? Alguém me diz?” .
Cheguei em Piracicaba num verão de 2000, com uma mala de roupas, um porrada de livros, um aparelho de som, uma caixa de CDs e muita vontade de viver. Passado 12 anos e estou com um guarda-roupa e cômoda lotados de roupas, outros livros, com os CDs empoeirados, uma casa completa, lembranças alegres e tristes, com outros sonhos e com a mesma vontade de viver.
Essa mudança tem um gostinho novo, tem um significado diferente, uma alegria maior e um orgulho confesso.
Estava esses dias conversando com uma amiga, no dia em que Piracicaba completou aniversário, no quanto, hoje, gosto da cidade, no quanto fui bem recebida, com infinitas possibilidades e o quanto cresci, aprendi e conquistei aqui. Sou grata, mesmo querendo me mudar daqui, sou grata.
Um brinde à tudo que passou e outro à tudo que virá... tim tim.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Achismos

Fetiche é como pimenta, tem quem goste de um toque de ardência, tem quem goste de bastante e tem quem não se atrai, mas a finalidade dela é apenas satisfazer um prazer com um leve toque a mais, já que o prato principal não muda.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Ser vegetariana

Esperei completar 6 meses com a dieta vegetariana para escrever. Em outubro de 2011 chegou até mim dois vídeos falando sobre os animais e o homem:
Uma palestra, que assisti primeiro -http://www.youtube.com/watch?v=8bH-doHSY_o
Um documentário: http://www.youtube.com/watch?v=C3wOr-xPZyU
Pois bem, após refletir sobre o tema e procurar artigos e depoimentos sobre o assunto no site do Vista-se ( http://vista-se.com.br/redesocial/ ), ficou impossível  consumir qualquer alimento de origem animal, isso ia contra meu caráter e princípios.
Não quero aqui falar sobre os direitos animais e atrocidades humanas, para isso aconselho a assistir os vídeos que citei e cair de cabeça no site do Vista-se - "sem informação você fica pelado", quero relatar o que aconteceu comigo, com meu ser físico, emocional e espiritual.
Nesses seis meses notei que não fiquei doente, seja com gripe, resfriado, dor de garganta, que sempre foi muito freqüente em mim, por trabalhar sempre rodeada de muitas pessoas eu acreditava ser comum esse tipo de acontecimento, mas notei que a dieta me ajudou a ter mais resistência, meu sistema imunológico tem trabalhado melhor. Minha alimentação que passou de péssima para muito saudável também me ajudou a perder alguns quilos. Meu paladar ficou mais apurado, tenho sentido melhor os sabores dos alimentos e gostado bastante de apreciar vegetais que antes nem sabia que existiam. Tenho me aventurado na arte da culinária vegana, na escolha dos alimentos, na preocupação de ter uma dieta balanceada para que não faltem proteínas vegetais, vitaminas e minerais, nos cheiros, cores, sabores e por que não dizer, tem sido uma terapia, como moro sozinha, isso me permite por a mão na massa e me aventurar, sem me preocupar se vai dar certo ou não, mas em aprender, em saborear, em me descobrir... Sinto-me ótima, com energia, disposição, meu sistema digestivo está 100% melhor (sofri muito com prisão de ventre, isso não existe mais) e feliz por não estar mais ingerindo sofrimento.
Noto também que estou mais leve, não no sentido físico, mas meu ser está mais leve, estou mais voltada ao meu lado espiritual, mais receptiva, mais equilibrada, pode ser coincidência, mas veio junto com essa mudança e acredito que tenha ajudado.
A mudança que fiz foi fácil para mim, foi só começar, mas não é para os que me rodeiam, a aceitação dos outros não aconteceu ainda, mesmo depois de seis meses, fica evidente que de alguma forma que eu incomodo, com frases do tipo: “Ainda ta nessa?”, “Você e sua comida de louco!”, “A chata da mesa!”, “Pára com isso, você vai ficar doente!” e por ai vai, o mais engraçado é que eu não fico pregando pra que todos façam o mesmo, eu incomodo pelo simples fato de ser. Vejo que “normal” é comer carne e não vegetais, isso não é estranho??? Não deveria ser o contrário???
Espero que as pessoas que gosto e que convivem comigo não me excluam, que continuem a me chamar para participar dos churrascos, almoços e jantares, mesmo que não tenha nada para eu comer, afinal, eu consigo sobreviver a esses eventos sem morrer, não vou morrer se passar 4,5,8 horas sem me alimentar, mas posso sofrer e muito se não tiver por perto as pessoas que amo.
Para finalizar deixo aqui a foto da minha amiga e companheira Mel:

quarta-feira, 28 de março de 2012

O CONVITE - Por Oriah Mountain Dreamer

Não me interessa o que você faz pra viver. Quero saber o que você deseja ardentemente, e se você se atreve a sonhar em encontrar os desejos do seu coração.
Não me interessa quantos anos você tem. Quero saber se você se arriscaria parecer que é um tolo por amor, por seus sonhos, pela aventura de estar vivo. Não me interessa que planetas estão em quadratura com a sua lua. Quero saber se você tocou o centro de sua própria tristeza, se você se tornou mais aberto por causa das traições da vida, ou se tornou murcho e fechado por medo das futuras mágoas.
Quero saber se você pode sentar-se com a dor, minha ou sua, sem se mexer para escondê-la, tentar diminuí-la ou tratá-la. Quero saber se você pode conviver com a alegria, minha ou sua, se você pode dançar loucamente e deixar que o êxtase tome conta de você dos pés à cabeça, sem a cautela de ser cuidadoso, de ser realista ou de lembrar das limitações de ser humano.
Não me interessa se a história que você está contando é verdadeira. Quero saber se você pode desapontar alguém para ser verdadeiro consigo mesmo; se você pode suportar acusações de traição e não trair sua própria alma. Quero saber se você pode ser leal, e portanto, confiável.
Quero saber se você pode ver a beleza mesmo quando o que vê não é bonito, todos os dias, e se você pode buscar a fonte de sua vida em sua presença. Quero saber se você pode conviver com o fracasso, seu e meu, e ainda postar-se à beira de um lago e gritar à lua cheia prateada: “Sim!”.
Não me interessa saber onde mora e quanto dinheiro você tem. Quero saber se você pode levantar depois de uma noite de tristeza e desespero, cansado e machucado até os ossos e fazer o que tem que ser feito para as crianças.
Não me interessa quem você é, como chegou até aqui. Quero saber se você vai se postar no meio do fogo comigo e não vai se encolher.
Não me interessa onde ou o que ou com quem você estudou. Quero saber o que o segura por dentro quando tudo o mais fracassa. Quero saber se você pode ficar só consigo mesmo e se você verdadeiramente gosta da companhia que tem nos momentos vazios.

sábado, 30 de abril de 2011

Pálpebras de Neblina

Engenho central- Piracicaba

Fim de tarde. Dia banal, terça, quarta-feira. Eu estava me sentindo muito triste. Você pode dizer que isso tem sido freqüente demais, ou até um pouco (ou muito) chato. Mas, que se há de fazer, se eu estava mesmo muito triste? Tristeza-garoa, fininha, cortante, persistente, com alguns relâmpagos de catástrofe futura. Projeções: e amanhã, e depois? e trabalho, amor, moradia? o que vai acontecer? Típico pensamento-nada-a-ver: sossega, o que vai acontecer acontecerá. Relaxa, baby, e flui: barquinho na correnteza, Deus dará. Essas coisas meio piegas, meio burras, eu vinha pensando naquele dia. Resolvi andar. Andar e olhar. Sem pensar, só olhar: caras, fachadas, vitrinas, automóveis, nuvens, anjos bandidos, fadas piradas, descargas de monóxido de carbono. Da praça Roosevelt, fui subindo pela Augusta, enquanto lembrava uns versos de Cecília Meireles, dos Cânticos: "Não digas 'Eu sofro'. Que é que dentro de ti és tu? / Que foi que te ensinaram/ que era sofrer ?" Mas não conseguia parar. Surdo a qualquer zen-budismo, o coração doía sintonizado com o espinho. Melodrama: nem amor, nem trabalho, nem família, quem sabe nem moradia - coração achando feio o não-ter. Abandono de fera ferida, bolero radical. Última das criaturas, surto de lucidez impiedosa da Big Loira de Dorothy Parker. Disfarçado, comecei a chorar. Troquei os óculos de lentes claras pelos negros ray-ban - filme. Resplandecente de infelicidade, eu subia a Rua Augusta no fim de tarde do dia Tão idiota que parecia não acabar nunca. Ah! como eu precisava tanto de alguém que me salvasse do pecado de querer abrir o gás. Foi então que a vi. Estava encostada na porta de um bar. Um bar brega - aqueles da Augusta-cidade, não Augusta-jardins. Uma prostituta, isso era o mais visível nela. Cabelo malpintado, cara muito maquiada, minissaia, decote fundo. Explícita, nada sutil, puro lugar comum patético. Em pé, de costas para o bar, encostada na porta, ela olhava a rua. Na mão direita tinha um cigarro, na esquerda um copo de cerveja.
E chorava, ela chorava. Sem escândalo, sem gemidos nem soluços, a prostituta na frente do bar chorava devagar, de verdade. A tinta da cara escorria com as lágrimas. Meio palhaça, chorava olhando a rua. Vez em quando, dava uma tragada no cigarro, um gole na cerveja. E continuava a chorar - exposta, imoral, escandalosa - sem se importar que a vissem sofrendo. Eu vi. Ela não me viu. Não via ninguém, acho. Tão voltada para a própria dor que estava, também, meio cega. Via pra dentro: charco, arame farpado, grades. Ninguém parou. Eu, também, não. Não era um espetáculo imperdível, não era uma dor reluzente de néon, não estava enquadrada ou decupada. Era uma dor sujinha como lençol usado por um mês, sem lavar, pobrinha como buraco na sola do sapato. Furo na meia, dente cariado. Dor sem glamour, de gente habitando aquela camada casca grossa da vida. Sem o recurso dessas benditas levezas de cada dia - uma dúzia de rosas, uma música de Caetano, uma caixa de figos. Comecei a emergir. Comparada à dor dela, que ridícula a minha, dor de brasileiro-médio-privilegiado. Fui caminhando mais leve. Mas só quando cheguei à Paulista compreendi um pouco mais. Aquela prostituta chorando, além de eu mesmo, era também o Brasil. Brasil 87: explorado, humilhado, pobre, escroto, vulgar, maltratado, abandonado, sem um tostão, cheio de dívidas, solidão, doença e medo. Cerveja e cigarro na porta do boteco vagabundo: carnaval, futebol. E lágrimas. Quem consola aquela prostituta? Quem me consola? Quem consola você, que me lê agora e talvez sinta coisas semelhantes? Quem consola este país tristíssimo? Vim pra casa humilde. Depois, um amigo me chamou para ajudá-lo a cuidar da dor dele. Guardei a minha no bolso. E fui. Não por nobreza: cuidar dele faria com que eu me esquecesse de mim. E fez. Quando gemeu "dói tanto", contei da moça vadia chorando, bebendo e fumando (como num bolero). E quando ele perguntou "porquê?", compreendi ainda mais. Falei: "Porque é dai que nascem as canções". E senti um amor imenso. Por tudo, sem pedir nada de volta. Não-ter pode ser bonito, descobri. Mas pergunto inseguro, assustado: a que será que se destina?

(in: Pequenas Epifanias -Caio Fernando Abreu)